quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Nota de falecimento - Paulinho Pires

   
          Nessa terça, 30 de outubro de 2018, Paulinho Pires se bandeou para a querência do além, encerrando, por aqui, sua profícua existência depois de semear muita música e sentimentos por onde andou, e por onde já andamos e por onde muitos continuarão a andar. Grande poeta, compositor, instrumentista, intérprete, autor de mais de duas centenas de canções com temáticas regionais e boêmia, destacou-se também utilizar um serrote se carpinteiro como um instrumento musical, que encantou muitas e muitas plateias. É compositor dessa joia do cancioneiro gauchesco “Súplica do Rio”, apresentada na longínqua 8ª Califórnia da Canção, é considerado “o primeiro grito ecológico” dos festivais gaúchos.

          Muitos de nós, membros da Comissão Gaúcha de Folclore, tivemos a honra de tê-lo como amigo próximo,  sevando a oportunidade de conhecê-lo como  uma das pessoas mais doces que brindava a todos com sua generosidade, com sua grande e envolvente maneira de ser. Seus amigos todos, dentre os quais incluímos nossas famílias,  sentiremos muito a ausência de Paulinho entre nós, mas temos todos a certeza de que ele está muito tranquilo, tocando seu serrote, espargindo gotas de carinho para todos que tivemos o privilégio de dizê-lo AMIGO.

          Como membros da Comissão Gaúcha de Folclore, nos aliamos ao grande número de amigos e admiradores da arte do compositor e amigo que partiu, e nos somamos ao músico, poeta e compositor Marco Araújo, na bela homenagem que faz ao Paulinho em forma de versos, que abaixo transcrevemos.

        Estamos tristes com a partida do Paulinho, mas confortados pelo patrimônio artístico cultural que nos deixou como legado, que estará, para sempre, disponível para encantar as gerações futuras.
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Lá Vai Paulinho Pires
                                              Marco Araújo
Lá vai Paulinho Pires
pela noite da Cidade Baixa.
Orquestrando em pensamentos
um coral de passarinhos,
revivendo algum momento
com seu jeito de menino.

Lá vai Paulinho Pires
– solitária melodia.
Despacito em sentimento
na calçada poesia,
encantado pelos bares
de um lugar sem fantasia.

Vai sereno, vai tranqüilo,
peregrino em romaria.
Como um rio de sua infância
que no tempo se recria,
águas doces que se encontram
no amanhecer de cada dia.

Lá vai Paulinho Pires,
lá vai Paulinho Pires!
De serrote e violinha,
lá vai Paulinho Pires,
descobrindo estrelas,
procurando luas!

“Uma lembrança ao poeta, cantor e compositor da velha guarda nativista Paulinho Pires, exímio “tocador de serrote”.
Marco Araujo

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

CEC e CGF realizaram Encontro Internacional de Folclore em Ijuí

Abaixo, a direita, Pedro Darci recebe a Medalha Lilian Argentina por ter se destacado na área da cultura e do Folclore
           Parcerias dão certo. Sem dúvida nenhuma, em épocas de crise, quem tem criatividade, age com comprometimento e faz parcerias, consegue bons resultados. Foi assim que o Conselho Estadual de Cultura, em parceria com a UETi - União das Etnias de Ijuí - juntamente com a Comissão Gaúcha de Folclore com apoio do município de Ijuí – Poder Executivo, Unijuí, Centro Cultural Leto, Expoijuí – Exposição/Feira Industrial e Comercial de Ijuí e Fenadi realizaram um belíssimo Encontro Internacional de Cultura e Folclore nos dias 13 e 14 de outubro.
            A primeira grande atividade foi o ato de lançamento da Pedra Fundamental da Casa da Associação Regional de Cultura Japonesa - Sakurá, onde a CGF e o CEC participaram ativamente. Depois na abertura oficial teve a participação das delegações de diversos paises como Uruguai, Argentina e Paraguai. A professora Dra. Maria Eunice Maciel palestrou com o tema: “O Folclore no âmbito internacional”, representando a Comissão Gaúcha de Folclore.
           Depois de vários momentos de confraternização entre as etnias, apresentações artisticas e culturais as autoridades e Delegações promoveram o plantio de árvores no Bosque Saci Pererê (área de preservação dentro do parque). Na manhã de domingo Paulo Campos, do CEC coordenou uma mesa para audição comentada do Projeto Acervo do Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore e um encontro com a obra de Paixão Côrtes.

         Logo em seguida aconteceu a palestra “A mulher e seu papel fundamental no crescimento e desenvolvimento do tradicionalismo” - que foi a 700ª Palestra de Rogério Bastos, palestrante da CGF. Marca que rendeu homenagens dos tradicionalistas da 9ª RT. Liliane Pappen Bastos, Presidente do Instituto Escola do Chimarrão de Venâncio Aires, aniversariante do dia, coordenou e mediou uma roda de mate com mulheres que fizeram e fazem história dentro do tradicionalismo e folclore do nosso estado. Liliane ainda palestrou e realizou oficina de chimarrão na parte da tarde do evento.
As 16h aconteceu a cerimonia de encerramento da FENADI com autoridades, delegações e todas etnias presentes

CEC convida para abertura da exposição: Brinquedos e Brincadeiras do Folclore


segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Encontro Internacional de Cultura e Folclore - FENADI 2018



PROMOÇÃO: UNIÃO DAS ETNIAS DE IJUÍ – UETI E COMISSÃO GAÚCHA DE FOLCLORE - CGF.

APOIO: CONSELHO ESTADUAL DE CULTURA, MUNICÍPIO DE IJUÍ – PODER EXECUTIVO, UNIJUÍ, CENTRO CULTURAL LETO DE IJUÍ, EXPOIJUÍ – EXPOSIÇÃO/FEIRA INDUSTRIAL E COMERCIAL DE IJUÍ E FENADI – FESTA NACIONAL DAS CULTURAS DIVERSIFICADAS DE 2018.

PROGRAMAÇÃO:
13 de outubro

13h – Almoço Típico e Recepção
Centro Cultural Regional Italiano

14h30m – Ato de lançamento da Pedra Fundamental da Casa da Associação Regional de Cultura Japonesa - Sakurá
Acompanham autoridades participantes do Evento

16h – Abertura Oficial
Local: Centro Cultural Leto de Ijuí localizado no Parque da EXPOIJUI/FENADI
Hino Nacional Brasileiro
Saudação da UETI e CGF
Participação do Grupo de Canto Leto (adulto e Infantil)

16h20 – Manifestações com a temática do Folclore Regional, Nacional e  Internacional 
CGF – 10 min
CEC – Conselho de Estado da Cultura do RS – 10 min
União das Etnias de Ijuí – 10 min 
Delegação Letônia de Riga – 10 min (traduzida)
Delegação Argentina 
Delegação Paraguai 
Delegação Uruguaia 

17h30 – Intervalo Cultural
Participação especial da Cantora Helena Sala

18h – Palestra “O Folclore no âmbito internacional”
Palestrante: Dra. Maria E. Maciel - Comissão Gaúcha de Folclore

19h – Apresentação das ações referentes ao processo de reconhecimento de Ijuí como “Capital Nacional das Etnias”.
Apresentação: Vice Reitor da Unijuí, Dr. Fernando Gonzáles e Francisco Roloff – Coordenador do Projeto.

19h30 – Visita à Epopeia Ijuhy
“Estação do Trem” localizada no Parque da EXPOIJUI e FENADI do Espetáculo Epopeia Ijuhy e passeio nas 13 Casas Típicas com o trem da História (30 pessoas) CGF, CEC e Representantes das Delegações Nacionais e Internacionais.

21h - Jantar Típico
Centro Cultural Leto
Acompanhado pela Pianista Hariet Krüger

22h - Momento Cultural 
Palco das Etnias localizado no Parque da EXPOFENADI – Espetáculos Culturais Étnicos com apresentações típicas das etnias

23h – Encerramento do 1º dia do encontro


14 de outubro - Domingo

Local: Associação Tradicionalista Querência Gaúcha localizada no Parque da EXPOIJUI/FENADI

9h – Projeto Acervo do Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore e um encontro com a obra de Paixão Côrtez
Audição Comentada - Coordenação: Paulo Campos
Rogério Bastos

9h30m – Palestra “A mulher e seu papel fundamental no crescimento e desenvolvimento do tradicionalismo” 
700ª Palestra do Tradicionalista Rogério Bastos, palestrante da CGF.

10h30m – Roda de mate e conversa com mulheres que fazem história dentro do tradicionalismo e folclore dos países participantes do evento
Mediação da Tradicionalista Liliane Bastos.

11h30m - Plantio de Árvores no Bosque Saci Pererê (área de preservação dentro do parque)
Autoridades e Delegações Culturais (nacionais e internacionais)

Liliane Pappen Bastos
12h30m – Almoço Típico
Associação Tradicionalista Querência Gaúcha

14h30m – Palestra e oficina de Chimarrão
Mediada pela Tradicionalista Liliane Bastos, do Instituto Escola do Chimarrão

16h - Ato de encerramento na praça das nações junto ao Parque da EXPOIJUI FENADI
Apresentação de propostas de ações culturais conjuntas futuras
Abraço cultural – confraternização.

20h30m – Jantar típico
Casa de Cultura Árabe

terça-feira, 28 de agosto de 2018

Nota de Falecimento - João Carlos D'Avila Paixão Côrtes

PARTICIPAÇÃO DE FALECIMENTO
JOÃO CARLOS D’ÁVILA PAIXÃO CÔRTES

           A Comissão Gaúcha de Folclore cumpre o doloroso dever de comunicar à grande  comunidade cultural nacional e aos amigos das culturas populares tradicionais, do folclore gaúcho e brasileiro, que, na data de hoje, nosso associado o Folclorista Emérito João Carlos D’Ávila Paixão Côrtes desgarrou-se no rodeio da vida e seguiu rumo ao horizonte infinito,  para ocupar  um ranchito que lhe foi preparado com muita luz na querência eterna. 

             Nos deixa um gaúcho de quatro costados, que marcou seu tempo, e que recolherá, por todos os tempos, o reconhecimento, o aplauso e o agradecimento dos que virão depois pelo  fantástico patrimônio cultural que oferece ao hoje e ao futuro, todo construído de amor ao Rio Grande, sempre respeitando e valorizando fazeres e saberes dos que vieram antes, obra de uma vida costurada e anunciada por sapateios de peões e sarandeios de prendas.
Já com dificuldade devido à idade avançada, em julho de 2017,  Carlos Paixão Côrtes, filho do folclorista explicou que o pai já não podia atender todas as demandas e anunciou seu afastamento da vida pública. Como uma homenagem, transcrevemos a matéria que foi publicada na imprensa de Porto Alegre.

PAIXÃO CÔRTES ANUNCIA EM CARTA AFASTAMENTO DA VIDA PÚBLICA
FOTO: Rogério Bastos
Por Carlos C. Paixão Côrtes  (Filho do J.C. Paixão Côrtes)

           João Carlos D’Ávila Paixão Côrtes, nascido em Santana do Livramento, fronteira seca do Rio Grande do Sul com Rivera (Uruguai), em 12 de julho de 1927, é engenheiro agrônomo, folclorista, radialista e dedicado pesquisador da cultura, hábitos e costumes populares do Rio Grande do Sul e do Brasil, os quais registrou em dezenas de publicações e discos. Formado em agronomia, teve sua vida profissional ligada à Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul, onde desenvolveu trabalhos relacionados com a ovinotecnia, com destaque para a introdução da tosquia australiana e a tipificação de carcaças.

           Em 1947, liderou os estudantes que fundaram o Departamento de Tradições Gaúchas do Grêmio Estudantil do Colégio Júlio de Castilhos em Porto Alegre, célula-mater do Movimento Tradicionalista Gaúcho. Esse núcleo estudantil foi o centro agregador para um grupo de jovens que protagonizaram pioneiramente momentos marcantes na história do tradicionalismo. Ele e sete companheiros, trajados e montados tipicamente à gaúcha, algo inédito na época, formaram o “Piquete da Tradição” que desfilou, em Porto Alegre, fazendo a guarda de honra da urna funerária dos restos mortais do general farroupilha Davi Canabarro.

           Este Departamento criou, durante a primeira Ronda Crioula, uma série de solenidades culturais e cívicas que deram origem aos símbolos da Chama Crioula e do Candeeiro Crioulo e que inspiraram a criação da Semana Farroupilha. Participou ativamente do grupo, onde estavam presentes Barbosa Lessa e Glaucus Saraiva, que fundou o “35 Centro de Tradições Gaúchas”, o primeiro CTG, compondo a primeira diretoria como Patrão de Honra. Estima-se que existam mais de 4.000 entidades gauchescas de diferentes constituições (CTGs, piquetes, grupos de danças e conjuntos musicais, etc.) que congregam cerca de 5 milhões de pessoas no Rio Grande do Sul, em quase a totalidade dos estados do Brasil, e em diversos países da Europa, da América do Norte e da Ásia.

           Seu trabalho foi reconhecido pelo povo do Rio Grande do Sul, ao ser escolhido por voto espontâneo, como um dos “20 Gaúchos que Marcaram o Século XX”, colocando-o entre exponenciais figuras como Getúlio Vargas, Osvaldo Aranha, João Goulart, Erico Verissimo, Mario Quintana, Barbosa Lessa e outras personalidades. Nacionalmente foi distinguido pelo então presidente da República Fernando Henrique Cardoso com a Comenda da Ordem ao Mérito Cultural por serviços prestados à cultura brasileira.

          Do governo do Estado do Rio Grande do Sul recebeu a Medalha Negrinho do Pastoreio como reconhecimento por serviços prestados à cultura e a Medalha Assis Brasil em destaque por seu trabalho em prol da agropecuária. Por sua atuação nos mais diversos segmentos, igualmente recebeu significativas homenagens e distinções por diferentes entidades das áreas de ensino, da cultura, das artes, da literatura, das representações governamentais, da agropecuária, da economia, da religiosidade e da representação popular.

         Igualmente, empresta seu nome a museu, a CTG, a praça e a premiações em distintos municípios gaúchos. Convidado pelo consagrado escultor Antônio Caringi, em 1954, Paixão Côrtes teve a honra de posar, com suas roupas campeiras e laço de 14 braças, para o artista esculpir a estátua O Laçador, que inicialmente foi colocada em gesso na exposição em comemoração do IV Centenário de São Paulo. Em 1958, a obra escultural eternizada em bronze foi erguida em praça pública à entrada de Porto Alegre, sendo deslocada, em 2007, para o Sítio do Laçador.

           Recentemente, sua Santana do Livramento homenageou-o com obra estatuária de Sérgio Coirolo, colocada na entrada da cidade, saudando o visitante da fronteira. Paixão Côrtes, que iniciou suas pesquisas folclóricas junto com Barbosa Lessa ainda no final da década de 40, desenvolveu um notável trabalho de “garimpagem” junto ao genuíno homem do campo por perdidos rincões do estado gaúcho. No transcorrer do tempo, necessitou custear, às expensas próprias e sem auxílio de qualquer órgão governamental, os filmes, as fitas magnéticas e os equipamentos — gravadores, filmadoras e máquinas fotográficas — utilizados para registrar um fértil manancial da cultura popular gauchesca.

            Deste trabalho como pesquisador no nosso Estado, em outros estados brasileiros e em diversos países da América Latina e da Europa, resultou um acervo de milhares de slides, de centenas de fitas gravadas, de horas de filmes em super 8 e em VHS, de raros registros fonográficos da Casa A Eléctrica, pioneira produtora do selo gramofônico Discos Gaúchos, e de inúmeros documentos sobre os hábitos e costumes rio-grandenses.


           Tendo como foco a divulgação deste material, colaborou com diversos artigos para jornais e revistas, apresentou teses aprovadas em Congressos Tradicionalistas e de Pesquisadores da Música Brasileira, palestrou em simpósios e encontros culturais, participou de programas de rádio e televisão, colaborou com documentários, entre outras atividades culturais. 

            Profissionalmente realizou cursos sobre tradição, folclore e danças tradicionais, ensinou professores em especializações em faculdades, realizou espetáculos de danças e, como radialista, utilizou seus programas, ao longo de quatro décadas para propagar seus estudos e para oportunizar espaço para manifestação da cultura popular do homem do campo. Desenvolveu nas últimas décadas o Projeto Mogar (Momento Gauchesco Artístico Cultural Rio-grandense), no qual editou, com textos e fotos do seu acervo pessoal, cerca de quatro dezenas de livros, opúsculos, folhetins, e fôlderes, num total de 350 mil publicações que estão sendo distribuídas gratuitamente para enriquecimento cultural de bibliotecas públicas, de entidades educacionais, de Centros de Tradições Gaúchas (CTGs), de grupos artísticos, de escolas e de diversos grupos propagadores da cultura gauchesca.

            Assim, em 70 anos de múltiplas atividades, Paixão Côrtes sempre foi um tropeiro cultural. Se em um momento estava em terras europeias cantando e dançando a alma da sua terra, em outro estava pesquisando e resgatando as manifestações autóctones do povo sulino, para, em seguida, estar transmitindo e divulgando-as pelos diversos rincões do Brasil, contribuindo, assim, definitivamente na formação da identidade do gaúcho rio-grandense.

            Chegando aos 90 anos de idade, decidiu recolher-se na intimidade do convívio familiar. Vai dar uma pausa na sua atuação como homem público, pois os anos de tropeada lhe causaram desgastes de saúde. Já não consegue atender igualmente a todas as demandas e não quer preterir ninguém, mas precisa se fortalecer. Espera que compreendam sua decisão. A sua figura pública sempre foi agente de uma ideia, que foi plantada em solo fértil, e propagou nas novas gerações. Que estas sejam responsáveis pelos novos frutos.

          Ele segue observando, organizando e enriquecendo seu extenso acervo documental de pesquisas. O Tropeiro da Tradição agora segue “a despacito”, no ritmo do seu tempo, a trançar outros tentos. Agradece a todos as mais diferentes manifestações de carinho que continua recebendo.

 Porto Alegre, 2 de julho de 2017.

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Aos 91 anos, morre Paixão Cortes

           O Rio Grande enlutou-se. No olhar de cada criança, de cada adolescente, de cada tradicionalista, independente da idade, a dor de ter perdido uma referencia. Nos deixou, nesta tarde de segunda-feira, 27 de agosto, aos 91 anos, o criador do tradicionalismo gaúcho, compositor, folclorista, radialista e pesquisador da cultura gaúcha João Carlos D'ávila Paixão Côrtes. 

           Internado, desde 18 de julho, no Hospital Ernesto Dornelles, onde passou por uma cirurgia após sofrer uma queda e fraturar o fêmur,  veio a  falecer às 16h, em decorrência da saúde fragilizada. 

Uma Paixão que o Rio Grande levará em seu coração

            Paixão nasceu em 12 de julho de 1927, em Santana do Livramento. Seu pai,  Julio Paixão Côrtes, era engenheiro agrônomo. Sua mãe, Fátima D’Ávila, era filha de João Pedro Rodrigues D’Ávila, fazendeiro, comerciante e líder ruralista. Em Santana existe até hoje o Rincão dos Ávila, no Cerro Chato. Em 1948, organizou e fundou o CTG 35 com seus companheiros e, em 1953, fundou o pioneiro Conjunto Folclórico Tropeiros da Tradição.

            Em 1956, Inezita Barroso gravou as músicas tradicionais gaúchas Chimarrita-balão, Balaio, Maçanico e Quero-Mana, Tirana do Lenço, Rilo, Xote Sete Voltas, Xote Inglês, Xote Carreirinha, Havaneira Marcada, recolhidas por ele e por Barbosa Lessa. Serviu de modelo, em 1954, para a Estátua do Laçador, obra do escultor Antônio Caringi instalada na zona Norte da Capital e escolhida, em 1992, símbolo de Porto Alegre. Em 1955 passou a apresentar o Programa Grande Rodeio Coringa e, em 1958, apresentou-se no Olympia de Paris, no palco da Universidade de Sorbonne, no Hotel de Ville, no Teatro Alhambra, além de clubes noturnos e cabarés. No mesmo ano foi convidado por Maurício Sirotsky para apresentar o programa Festança na querência na Rádio Gaúcha, que ficou no ar até 1967

            Paixão teve sua história de vida intimamente ligada ao Sport Club Internacional  pois seu pai foi jogador do clube nos primeiros anos de sua fundação e, posteriormente, seus tios foram jogadores do Clube de futebol em destaque o primeiro goleador do Internacional Belarmino Carlos Leal D'Ávila. Em 2009 foi nomeado cônsul cultural do Internacional.

          

      Velório a partir das 9h, no Salão Negrinho do Pastoreio, do Palácio Piratini. Saída para o cemitério São Miguel e Almas, às 17h. Sepultamento às 18 horas. (Charge do Iotti)

sábado, 21 de julho de 2018

Comissão Gaúcha de Folclore presente em evento da ACGBFSJ, em General Câmara

Em uma linda manhã ensolarada de inverno, membros da Comissão Gaúcha de Folclore visitaram a localidade de Boqueirão, 3º Distrito  de General Câmara para registrar a "Carreira de Boi Cangado".

          Segundo a legislação brasileira o Patrimônio Cultural Imaterial são práticas, representações, expressões, conhecimentos e técnicas transmitidos de geração em geração e constantemente recriados pelas comunidades e grupos em função de seu ambiente, de sua interação com a natureza e de sua história, gerando um sentimento de identidade e continuidade. Com este espírito a Associação de Criadores de Gado Bovino de Força São José, da Localidade de Boqueirão, em General Câmara, convidou a Comissão Gaúcha de Folclore para que registrasse este momento, onde vários exemplares de touros seriam premiados, através de seus proprietários.

           Contando com a presença do Presidente da CGF, Octávio Capuano, da secretária Renata Pletz e do Diretor de Comunicação, Rogério Bastos, além da Presidente do Instituto Escola do Chimarrão, Liliane Pappen, o secretário da Saúde da cidade, também tradicionalista, Ederson Pizzio, conferiu a entrega dos prêmios e certificados.
O Vereador, autor da Lei, João Rodrigues da Silva sendo entrevistado pela Comissão Gaucha de Folclore
            A região foi colonizada por famílias açorianas que, subindo o rio Jacuí, se localizaram na margem esquerda, fundando diversos povoados. Dentre os que mais se destacaram está Santo Amaro, de forte presença nos diversos episódios que formaram a história gaúcha.

            Em seguida, chegaram a região do vale do Rio Jacuí e Taquari famílias de origem alemã, trazidas para substituir a mão de obra escrava, surgindo nessa época diversos Quilombos na região. A mistura dessas culturas desenvolveram a região onde está localizado os municípios de General Câmara, Vale Verde, Passo do Sobrado, Taquari e Venâncio Aires. Foi Exatamente nessa região que se popularizou a atividade da CARREIRA DE BOIS.
             É oportuno destacar que a força do boi foi a mola propulsora do desenvolvimento econômico e da formação da cidade. Pois foi assim que as gerações anteriores desbravaram essas terras e colonizaram a região.
             Diversão popular registrada em várias localidades do vale do Jacuí e taquari, a Carreira de Bois na "talha" é uma competição de força e adestramento entre bois e touros.
             A denominação Carreira - expressão popular ainda ligada às antigas modalidades competitivas entre bois - não mais denota corrida. Os bois competidores são jungidos em uma canga especial, presa a cambões estirados por alçaprema ou talha, ligada a um palanque irremovível. O boi carreiro quase não se afasta do lugar onde está cangado, embora forcejando. Considera-se vencedor o animal que sustentar a canga em posição mais avançada, durante um minuto à frente do outro.

             O Vereador do PTB, João Rodrigues da Silva, que já foi patrão de CTG e trabalhou com a coordenadoria regional, autor da lei disse que essa sempre foi uma atividade da localidade, desde os tempos da colonização. Uma diversão local que passou um tempo parada mas que agora voltou  para ficar registrado na historia da região. “A distância era muito grande a ser percorrida para ir numa diversão e o que tinha, eram os animais do trabalho, do dia a dia. Se juntavam nos finais de semana para fazer as suas carreiras fazer suas diversões, pois as famílias não tinham opção para onde ir então, achava que o momento de confraternização e realizava no final de semana essas atividades” - disse. 

    “Com tempo ficou um pouco adormecida, por ser uma série de coisas, pois algumas pessoas achavam que tinha crueldade no fazer os eventos. Elas acabam não concordando com as práticas culturais ou esportivas que utilizam animais, muitas vezes por falta de conhecimento, e o que a gente fez no momento que organizou leis? Buscamos uma cultura centenária em cima de uma realidade de hoje que é a proteção do bem estar do animal resgatando a cultura que era de antigamente e trazer para uma novidade que a lei nos possibilita.” - concluiu.