segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Encontro Internacional de Cultura e Folclore - FENADI 2018



PROMOÇÃO: UNIÃO DAS ETNIAS DE IJUÍ – UETI E COMISSÃO GAÚCHA DE FOLCLORE - CGF.

APOIO: CONSELHO ESTADUAL DE CULTURA, MUNICÍPIO DE IJUÍ – PODER EXECUTIVO, UNIJUÍ, CENTRO CULTURAL LETO DE IJUÍ, EXPOIJUÍ – EXPOSIÇÃO/FEIRA INDUSTRIAL E COMERCIAL DE IJUÍ E FENADI – FESTA NACIONAL DAS CULTURAS DIVERSIFICADAS DE 2018.

PROGRAMAÇÃO:
13 de outubro

13h – Almoço Típico e Recepção
Centro Cultural Regional Italiano

14h30m – Ato de lançamento da Pedra Fundamental da Casa da Associação Regional de Cultura Japonesa - Sakurá
Acompanham autoridades participantes do Evento

16h – Abertura Oficial
Local: Centro Cultural Leto de Ijuí localizado no Parque da EXPOIJUI/FENADI
Hino Nacional Brasileiro
Saudação da UETI e CGF
Participação do Grupo de Canto Leto (adulto e Infantil)

16h20 – Manifestações com a temática do Folclore Regional, Nacional e  Internacional 
CGF – 10 min
CEC – Conselho de Estado da Cultura do RS – 10 min
União das Etnias de Ijuí – 10 min 
Delegação Letônia de Riga – 10 min (traduzida)
Delegação Argentina 
Delegação Paraguai 
Delegação Uruguaia 

17h30 – Intervalo Cultural
Participação especial da Cantora Helena Sala

18h – Palestra “O Folclore no âmbito internacional”
Palestrante: Dra. Maria E. Maciel - Comissão Gaúcha de Folclore

19h – Apresentação das ações referentes ao processo de reconhecimento de Ijuí como “Capital Nacional das Etnias”.
Apresentação: Vice Reitor da Unijuí, Dr. Fernando Gonzáles e Francisco Roloff – Coordenador do Projeto.

19h30 – Visita à Epopeia Ijuhy
“Estação do Trem” localizada no Parque da EXPOIJUI e FENADI do Espetáculo Epopeia Ijuhy e passeio nas 13 Casas Típicas com o trem da História (30 pessoas) CGF, CEC e Representantes das Delegações Nacionais e Internacionais.

21h - Jantar Típico
Centro Cultural Leto
Acompanhado pela Pianista Hariet Krüger

22h - Momento Cultural 
Palco das Etnias localizado no Parque da EXPOFENADI – Espetáculos Culturais Étnicos com apresentações típicas das etnias

23h – Encerramento do 1º dia do encontro


14 de outubro - Domingo

Local: Associação Tradicionalista Querência Gaúcha localizada no Parque da EXPOIJUI/FENADI

9h – Projeto Acervo do Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore e um encontro com a obra de Paixão Côrtez
Audição Comentada - Coordenação: Paulo Campos
Rogério Bastos

9h30m – Palestra “A mulher e seu papel fundamental no crescimento e desenvolvimento do tradicionalismo” 
700ª Palestra do Tradicionalista Rogério Bastos, palestrante da CGF.

10h30m – Roda de mate e conversa com mulheres que fazem história dentro do tradicionalismo e folclore dos países participantes do evento
Mediação da Tradicionalista Liliane Bastos.

11h30m - Plantio de Árvores no Bosque Saci Pererê (área de preservação dentro do parque)
Autoridades e Delegações Culturais (nacionais e internacionais)

Liliane Pappen Bastos
12h30m – Almoço Típico
Associação Tradicionalista Querência Gaúcha

14h30m – Palestra e oficina de Chimarrão
Mediada pela Tradicionalista Liliane Bastos, do Instituto Escola do Chimarrão

16h - Ato de encerramento na praça das nações junto ao Parque da EXPOIJUI FENADI
Apresentação de propostas de ações culturais conjuntas futuras
Abraço cultural – confraternização.

20h30m – Jantar típico
Casa de Cultura Árabe

terça-feira, 28 de agosto de 2018

Nota de Falecimento - João Carlos D'Avila Paixão Côrtes

PARTICIPAÇÃO DE FALECIMENTO
JOÃO CARLOS D’ÁVILA PAIXÃO CÔRTES

           A Comissão Gaúcha de Folclore cumpre o doloroso dever de comunicar à grande  comunidade cultural nacional e aos amigos das culturas populares tradicionais, do folclore gaúcho e brasileiro, que, na data de hoje, nosso associado o Folclorista Emérito João Carlos D’Ávila Paixão Côrtes desgarrou-se no rodeio da vida e seguiu rumo ao horizonte infinito,  para ocupar  um ranchito que lhe foi preparado com muita luz na querência eterna. 

             Nos deixa um gaúcho de quatro costados, que marcou seu tempo, e que recolherá, por todos os tempos, o reconhecimento, o aplauso e o agradecimento dos que virão depois pelo  fantástico patrimônio cultural que oferece ao hoje e ao futuro, todo construído de amor ao Rio Grande, sempre respeitando e valorizando fazeres e saberes dos que vieram antes, obra de uma vida costurada e anunciada por sapateios de peões e sarandeios de prendas.
Já com dificuldade devido à idade avançada, em julho de 2017,  Carlos Paixão Côrtes, filho do folclorista explicou que o pai já não podia atender todas as demandas e anunciou seu afastamento da vida pública. Como uma homenagem, transcrevemos a matéria que foi publicada na imprensa de Porto Alegre.

PAIXÃO CÔRTES ANUNCIA EM CARTA AFASTAMENTO DA VIDA PÚBLICA
FOTO: Rogério Bastos
Por Carlos C. Paixão Côrtes  (Filho do J.C. Paixão Côrtes)

           João Carlos D’Ávila Paixão Côrtes, nascido em Santana do Livramento, fronteira seca do Rio Grande do Sul com Rivera (Uruguai), em 12 de julho de 1927, é engenheiro agrônomo, folclorista, radialista e dedicado pesquisador da cultura, hábitos e costumes populares do Rio Grande do Sul e do Brasil, os quais registrou em dezenas de publicações e discos. Formado em agronomia, teve sua vida profissional ligada à Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul, onde desenvolveu trabalhos relacionados com a ovinotecnia, com destaque para a introdução da tosquia australiana e a tipificação de carcaças.

           Em 1947, liderou os estudantes que fundaram o Departamento de Tradições Gaúchas do Grêmio Estudantil do Colégio Júlio de Castilhos em Porto Alegre, célula-mater do Movimento Tradicionalista Gaúcho. Esse núcleo estudantil foi o centro agregador para um grupo de jovens que protagonizaram pioneiramente momentos marcantes na história do tradicionalismo. Ele e sete companheiros, trajados e montados tipicamente à gaúcha, algo inédito na época, formaram o “Piquete da Tradição” que desfilou, em Porto Alegre, fazendo a guarda de honra da urna funerária dos restos mortais do general farroupilha Davi Canabarro.

           Este Departamento criou, durante a primeira Ronda Crioula, uma série de solenidades culturais e cívicas que deram origem aos símbolos da Chama Crioula e do Candeeiro Crioulo e que inspiraram a criação da Semana Farroupilha. Participou ativamente do grupo, onde estavam presentes Barbosa Lessa e Glaucus Saraiva, que fundou o “35 Centro de Tradições Gaúchas”, o primeiro CTG, compondo a primeira diretoria como Patrão de Honra. Estima-se que existam mais de 4.000 entidades gauchescas de diferentes constituições (CTGs, piquetes, grupos de danças e conjuntos musicais, etc.) que congregam cerca de 5 milhões de pessoas no Rio Grande do Sul, em quase a totalidade dos estados do Brasil, e em diversos países da Europa, da América do Norte e da Ásia.

           Seu trabalho foi reconhecido pelo povo do Rio Grande do Sul, ao ser escolhido por voto espontâneo, como um dos “20 Gaúchos que Marcaram o Século XX”, colocando-o entre exponenciais figuras como Getúlio Vargas, Osvaldo Aranha, João Goulart, Erico Verissimo, Mario Quintana, Barbosa Lessa e outras personalidades. Nacionalmente foi distinguido pelo então presidente da República Fernando Henrique Cardoso com a Comenda da Ordem ao Mérito Cultural por serviços prestados à cultura brasileira.

          Do governo do Estado do Rio Grande do Sul recebeu a Medalha Negrinho do Pastoreio como reconhecimento por serviços prestados à cultura e a Medalha Assis Brasil em destaque por seu trabalho em prol da agropecuária. Por sua atuação nos mais diversos segmentos, igualmente recebeu significativas homenagens e distinções por diferentes entidades das áreas de ensino, da cultura, das artes, da literatura, das representações governamentais, da agropecuária, da economia, da religiosidade e da representação popular.

         Igualmente, empresta seu nome a museu, a CTG, a praça e a premiações em distintos municípios gaúchos. Convidado pelo consagrado escultor Antônio Caringi, em 1954, Paixão Côrtes teve a honra de posar, com suas roupas campeiras e laço de 14 braças, para o artista esculpir a estátua O Laçador, que inicialmente foi colocada em gesso na exposição em comemoração do IV Centenário de São Paulo. Em 1958, a obra escultural eternizada em bronze foi erguida em praça pública à entrada de Porto Alegre, sendo deslocada, em 2007, para o Sítio do Laçador.

           Recentemente, sua Santana do Livramento homenageou-o com obra estatuária de Sérgio Coirolo, colocada na entrada da cidade, saudando o visitante da fronteira. Paixão Côrtes, que iniciou suas pesquisas folclóricas junto com Barbosa Lessa ainda no final da década de 40, desenvolveu um notável trabalho de “garimpagem” junto ao genuíno homem do campo por perdidos rincões do estado gaúcho. No transcorrer do tempo, necessitou custear, às expensas próprias e sem auxílio de qualquer órgão governamental, os filmes, as fitas magnéticas e os equipamentos — gravadores, filmadoras e máquinas fotográficas — utilizados para registrar um fértil manancial da cultura popular gauchesca.

            Deste trabalho como pesquisador no nosso Estado, em outros estados brasileiros e em diversos países da América Latina e da Europa, resultou um acervo de milhares de slides, de centenas de fitas gravadas, de horas de filmes em super 8 e em VHS, de raros registros fonográficos da Casa A Eléctrica, pioneira produtora do selo gramofônico Discos Gaúchos, e de inúmeros documentos sobre os hábitos e costumes rio-grandenses.


           Tendo como foco a divulgação deste material, colaborou com diversos artigos para jornais e revistas, apresentou teses aprovadas em Congressos Tradicionalistas e de Pesquisadores da Música Brasileira, palestrou em simpósios e encontros culturais, participou de programas de rádio e televisão, colaborou com documentários, entre outras atividades culturais. 

            Profissionalmente realizou cursos sobre tradição, folclore e danças tradicionais, ensinou professores em especializações em faculdades, realizou espetáculos de danças e, como radialista, utilizou seus programas, ao longo de quatro décadas para propagar seus estudos e para oportunizar espaço para manifestação da cultura popular do homem do campo. Desenvolveu nas últimas décadas o Projeto Mogar (Momento Gauchesco Artístico Cultural Rio-grandense), no qual editou, com textos e fotos do seu acervo pessoal, cerca de quatro dezenas de livros, opúsculos, folhetins, e fôlderes, num total de 350 mil publicações que estão sendo distribuídas gratuitamente para enriquecimento cultural de bibliotecas públicas, de entidades educacionais, de Centros de Tradições Gaúchas (CTGs), de grupos artísticos, de escolas e de diversos grupos propagadores da cultura gauchesca.

            Assim, em 70 anos de múltiplas atividades, Paixão Côrtes sempre foi um tropeiro cultural. Se em um momento estava em terras europeias cantando e dançando a alma da sua terra, em outro estava pesquisando e resgatando as manifestações autóctones do povo sulino, para, em seguida, estar transmitindo e divulgando-as pelos diversos rincões do Brasil, contribuindo, assim, definitivamente na formação da identidade do gaúcho rio-grandense.

            Chegando aos 90 anos de idade, decidiu recolher-se na intimidade do convívio familiar. Vai dar uma pausa na sua atuação como homem público, pois os anos de tropeada lhe causaram desgastes de saúde. Já não consegue atender igualmente a todas as demandas e não quer preterir ninguém, mas precisa se fortalecer. Espera que compreendam sua decisão. A sua figura pública sempre foi agente de uma ideia, que foi plantada em solo fértil, e propagou nas novas gerações. Que estas sejam responsáveis pelos novos frutos.

          Ele segue observando, organizando e enriquecendo seu extenso acervo documental de pesquisas. O Tropeiro da Tradição agora segue “a despacito”, no ritmo do seu tempo, a trançar outros tentos. Agradece a todos as mais diferentes manifestações de carinho que continua recebendo.

 Porto Alegre, 2 de julho de 2017.

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Aos 91 anos, morre Paixão Cortes

           O Rio Grande enlutou-se. No olhar de cada criança, de cada adolescente, de cada tradicionalista, independente da idade, a dor de ter perdido uma referencia. Nos deixou, nesta tarde de segunda-feira, 27 de agosto, aos 91 anos, o criador do tradicionalismo gaúcho, compositor, folclorista, radialista e pesquisador da cultura gaúcha João Carlos D'ávila Paixão Côrtes. 

           Internado, desde 18 de julho, no Hospital Ernesto Dornelles, onde passou por uma cirurgia após sofrer uma queda e fraturar o fêmur,  veio a  falecer às 16h, em decorrência da saúde fragilizada. 

Uma Paixão que o Rio Grande levará em seu coração

            Paixão nasceu em 12 de julho de 1927, em Santana do Livramento. Seu pai,  Julio Paixão Côrtes, era engenheiro agrônomo. Sua mãe, Fátima D’Ávila, era filha de João Pedro Rodrigues D’Ávila, fazendeiro, comerciante e líder ruralista. Em Santana existe até hoje o Rincão dos Ávila, no Cerro Chato. Em 1948, organizou e fundou o CTG 35 com seus companheiros e, em 1953, fundou o pioneiro Conjunto Folclórico Tropeiros da Tradição.

            Em 1956, Inezita Barroso gravou as músicas tradicionais gaúchas Chimarrita-balão, Balaio, Maçanico e Quero-Mana, Tirana do Lenço, Rilo, Xote Sete Voltas, Xote Inglês, Xote Carreirinha, Havaneira Marcada, recolhidas por ele e por Barbosa Lessa. Serviu de modelo, em 1954, para a Estátua do Laçador, obra do escultor Antônio Caringi instalada na zona Norte da Capital e escolhida, em 1992, símbolo de Porto Alegre. Em 1955 passou a apresentar o Programa Grande Rodeio Coringa e, em 1958, apresentou-se no Olympia de Paris, no palco da Universidade de Sorbonne, no Hotel de Ville, no Teatro Alhambra, além de clubes noturnos e cabarés. No mesmo ano foi convidado por Maurício Sirotsky para apresentar o programa Festança na querência na Rádio Gaúcha, que ficou no ar até 1967

            Paixão teve sua história de vida intimamente ligada ao Sport Club Internacional  pois seu pai foi jogador do clube nos primeiros anos de sua fundação e, posteriormente, seus tios foram jogadores do Clube de futebol em destaque o primeiro goleador do Internacional Belarmino Carlos Leal D'Ávila. Em 2009 foi nomeado cônsul cultural do Internacional.

          

      Velório a partir das 9h, no Salão Negrinho do Pastoreio, do Palácio Piratini. Saída para o cemitério São Miguel e Almas, às 17h. Sepultamento às 18 horas. (Charge do Iotti)

sábado, 21 de julho de 2018

Comissão Gaúcha de Folclore presente em evento da ACGBFSJ, em General Câmara

Em uma linda manhã ensolarada de inverno, membros da Comissão Gaúcha de Folclore visitaram a localidade de Boqueirão, 3º Distrito  de General Câmara para registrar a "Carreira de Boi Cangado".

          Segundo a legislação brasileira o Patrimônio Cultural Imaterial são práticas, representações, expressões, conhecimentos e técnicas transmitidos de geração em geração e constantemente recriados pelas comunidades e grupos em função de seu ambiente, de sua interação com a natureza e de sua história, gerando um sentimento de identidade e continuidade. Com este espírito a Associação de Criadores de Gado Bovino de Força São José, da Localidade de Boqueirão, em General Câmara, convidou a Comissão Gaúcha de Folclore para que registrasse este momento, onde vários exemplares de touros seriam premiados, através de seus proprietários.

           Contando com a presença do Presidente da CGF, Octávio Capuano, da secretária Renata Pletz e do Diretor de Comunicação, Rogério Bastos, além da Presidente do Instituto Escola do Chimarrão, Liliane Pappen, o secretário da Saúde da cidade, também tradicionalista, Ederson Pizzio, conferiu a entrega dos prêmios e certificados.
O Vereador, autor da Lei, João Rodrigues da Silva sendo entrevistado pela Comissão Gaucha de Folclore
            A região foi colonizada por famílias açorianas que, subindo o rio Jacuí, se localizaram na margem esquerda, fundando diversos povoados. Dentre os que mais se destacaram está Santo Amaro, de forte presença nos diversos episódios que formaram a história gaúcha.

            Em seguida, chegaram a região do vale do Rio Jacuí e Taquari famílias de origem alemã, trazidas para substituir a mão de obra escrava, surgindo nessa época diversos Quilombos na região. A mistura dessas culturas desenvolveram a região onde está localizado os municípios de General Câmara, Vale Verde, Passo do Sobrado, Taquari e Venâncio Aires. Foi Exatamente nessa região que se popularizou a atividade da CARREIRA DE BOIS.
             É oportuno destacar que a força do boi foi a mola propulsora do desenvolvimento econômico e da formação da cidade. Pois foi assim que as gerações anteriores desbravaram essas terras e colonizaram a região.
             Diversão popular registrada em várias localidades do vale do Jacuí e taquari, a Carreira de Bois na "talha" é uma competição de força e adestramento entre bois e touros.
             A denominação Carreira - expressão popular ainda ligada às antigas modalidades competitivas entre bois - não mais denota corrida. Os bois competidores são jungidos em uma canga especial, presa a cambões estirados por alçaprema ou talha, ligada a um palanque irremovível. O boi carreiro quase não se afasta do lugar onde está cangado, embora forcejando. Considera-se vencedor o animal que sustentar a canga em posição mais avançada, durante um minuto à frente do outro.

             O Vereador do PTB, João Rodrigues da Silva, que já foi patrão de CTG e trabalhou com a coordenadoria regional, autor da lei disse que essa sempre foi uma atividade da localidade, desde os tempos da colonização. Uma diversão local que passou um tempo parada mas que agora voltou  para ficar registrado na historia da região. “A distância era muito grande a ser percorrida para ir numa diversão e o que tinha, eram os animais do trabalho, do dia a dia. Se juntavam nos finais de semana para fazer as suas carreiras fazer suas diversões, pois as famílias não tinham opção para onde ir então, achava que o momento de confraternização e realizava no final de semana essas atividades” - disse. 

    “Com tempo ficou um pouco adormecida, por ser uma série de coisas, pois algumas pessoas achavam que tinha crueldade no fazer os eventos. Elas acabam não concordando com as práticas culturais ou esportivas que utilizam animais, muitas vezes por falta de conhecimento, e o que a gente fez no momento que organizou leis? Buscamos uma cultura centenária em cima de uma realidade de hoje que é a proteção do bem estar do animal resgatando a cultura que era de antigamente e trazer para uma novidade que a lei nos possibilita.” - concluiu.

quarta-feira, 4 de julho de 2018

CGF recebe homenagem do Conselho Estadual de Cultura em noite de festa

Acima (E), Marco Aurélio Alves, presidente do CEC e a direita o Secretário Estadual da Cultura, Turismo, Esporte e Lazer do Estado, em exercício, André Kryszczun 
            O Conselho Estadual de Cultura do Rio Grande do Sul homenageou na noite de terça, 3, pessoas e instituições que marcaram e que marcam a cultura e o folclore no estado, no Foyer do Theatro São Pedro, em Porto Alegre.
            "Estamos muito felizes e agradecidos com a presença de tantas personalidades que dedicam-se à arte e a cultura, assim como seus amigos e familiares. Nos honra em receber nesta noite festiva secretários de estado, presidente de fundações e autarquias, artistas, produtores, prefeitos, secretários municipais e legislativos municipais" - disse Marco Aurélio Avila, presidente do Conselho Estadual de Cultura.
Octavio Capuano (foto parte debaixo) presidente da CGF e Rogério Bastos, diretor de Comunicação
              Entre os contemplados com o Troféu Conselho Estadual de Cultura estavam a filha de Briane Bicca, representando a mãe que faleceu recentemente(Patrimônio), Evandro Matté e Rogério Beidacki – Ospa (Gestão), Feira do Livro de Morro Reuter (Literatura), filme Cromossomo 21 (Audiovisual), Maçambique de Osório (Tradição e Folclore), maestrina Gilca Nocchi Collares (Música), Orquestra Villa-Lobos (Humanidades), Sandra Dani (Artes Cênicas), Tarcísio Michelon (Artes Visuais), e Teatro de Arena (Institucional). 
              Também foram homenageadas instituições importantes para a sociedade como: o pioneiro 35 CTG, o CTG Clube Farroupilha, de Ijui, representado por uma comitiva que veio da cidade liderados pelo patrão Altemir Tomé da Rosa, o Partenon Literário, pelos seus 150 anos de história, representado pelo seu presidente Benedito Saldanha, o Coro misto Julio Kunz, Associação Rio-grandense de Artes plásticas Francisco Lisboa, Museu Paulo Firpo, de Dom Pedrito, Circo Italiano Belíssimo, Grupo Alabê Oni, Radio da UFRGS e a Comissão Gaucha de Folclore, representado pelo seu presidente Octávio Capuano.

 "Cromossomo 21"
     "Há diferenças e há igualdades - nem tudo deve ser igual, assim como nem tudo deve ser diferente (...) é preciso que tenhamos o direito de ser diferentes quando a igualdade nos descaracteriza e o direito de ser iguais quando a diferença nos inferioriza" - Boaventura Souza Santos.

           Assim foi a  apresentação de um dos mais aplaudidos laureados da noite, o filme Cromossomo 21, que recebeu o destaque Audiovisual. Quando subiu ao palco para entregar o premio, emocionado, o conselheiro de cultura Gilberto Herschdorfer não conseguia disfarçar o sentimento. Foi convidada para subir ao palco, a ex-conselheira de cultura Alessandra Motta Carvalho, que foi destacada por sua atuação quando ainda fazia parte do conselho no que se refere a este projeto.
CROMOSSOMO 21 - Deixou como mensagem que a maior limitação, ainda é o preconceito. "Quem tem síndrome de Down não é doente, é apenas diferente e isso não impede que tenha uma vida normal. É a luta contra o preconceito
 
           O Rei do Congo João Batista e a Rainha Ginga Francisca Dias representaram o Maçambique de Osório - manifestação sócio-cultural e religiosa cultuada pelos negros e negras com o intuito de preservar suas origens em ambientes diferentes do qual viviam na África. no dia 18 de outubro, em Osório, será realizada a festa de Nossa Senhora do Rosário, promovido pela secretaria de cultura do município em parceria com o grupo Maçambique.

Fotos desta pagina: Liliane Pappen Bastos
           Foi também lançado o livro Palco da Cultura, comemorativo aos 50 anos do Conselho Estadual de Cultura. A Orquestra Villa Lobos apresentou seu grupo de chorinho, encerrando a noite festiva, no Foyer do Theatro São Pedro.

Rogério Bastos -   Foto: Erika Hanssen

         Á convite do Presidente do Conselho Estadual de Cultura, Marco Aurélio Alves, a apresentação do evento foi feita por Rogério Bastos, diretor de comunicação da CGF, com supervisão da Conselheira Marlise Machado e do próprio presidente.

         "A concepção artística do troféu, entregue como prêmio destaques 2018, sugere a integração entre as diferentes regiões do Estado, em forma que busca se apresentar com leveza e movimento, fazendo referência às atividades que atualmente o Conselho realiza por todo o território rio-grandense" - declarou no seu facebook, o artista Vinicius Vieira - autor da obra.

sexta-feira, 29 de junho de 2018

Festas Juninas, por diversos pontos de vista

   Por Antonio Augusto Fagundes. Curso de Tradicionalismo Gaúcho

          No Rio Grande do Sul as festas de junho estão ligadas ao solstício de inverno e são quatro, os santos do mês: Santo António (13), São João (24) e São Pedro e São Paulo (29).

         São festas importantes no calendário gaúcho e sua alegria não tira a seriedade das comemorações.  O que se deve impedir — e o tradicionalismo está vencendo essa batalha — é a aparição de festas caipiras, que de caipiras não tem nada e visam colocar em ridículo um tipo humano brasileiro de cultura tão importante como o gaúcho, que já mereceu estudos sérios de homens como Mário de Andrade, Amadeu Amaral e Alceu Maynard Araújo. E se dizer que houve um tempo em que sociedades importantes e escolas sérias realizavam até os famigerados "casamentos na roça" em nosso Estado!

          Segundo Antonio Augusto Fagundes, o Nico, as verdadeiras festas juninas do Rio Grande do Sul são as seguintes:

SANTO ANTÔNIO — Comemora-se a 13 de junho e, em certos municípios — como Mostardas e Tavares — manifestam-se os Ternos, hoje com menor intensidade. Embora esses cantores ambulantes lembrem os clássicos Ternos de Reis, os versos que cantam deixam bem claro o santo que evocam.

     O normal é se fazer a festa de Santo António no dia que lhe é consagrado no calendário gregoriano, acendendo a fogueira no entardecer do dia 13 e, a partir daí, realizando as costumeiras provas de amor, jogo de prendas e salto sobre as brasas. Ultimamente, porém, está se verificando a tendência de se comemorar o dia de Santo Antônio no Dia dos Namorados (12 de junho), de inspiração comercial.

SÃO JOÃO — É a festa junina mais popular no Estado, com os gaúchos acendendo fogueiras em incontáveis municípios. Ocorre, porém, frequentemente um erro; as fogueiras são acesas na véspera de São João e não, como deveria ser, à tarde do dia 24 de junho.

     A roupa adequada para essa ocasião é a gauchesca de festa. A comida é a galinha frita, assada ou com arroz, a batata-doce, o pinhão (preparado de várias maneiras), o amendoim, a pipoca, a cangica, os doces campeiros. Assar churrasco, ainda mais nas brasas da fogueira, seria um desrespeito ao santo. Bebe-se cachaça, quentão, jacuba ou capilé.

     Conta-se que na antiga Judéia as primas Isabel e Maria estavam grávidas e moravam em casas distantes. A primeira que ganhasse bebé deveria anunciar a boa nova à outra, acendendo uma fogueira na frente da própria casa. Santa Isabel ganhou o filho, que será São João Batista, primeiro e cumpriu o prometido e até hoje os gaúchos acendem fogueiras, anunciando a vinda do santo.

     Tem-se, porém, que "acordar" São João, porque à noite, é claro, ele dorme no céu. Por isso explodem foguetes e bombas. O secular costume de soltar balões está em desuso, no Estado.

     São João também tem o seu Terno, com versos próprios. Em São Borja, no RS, realiza-se anualmente a festa de São Joãozinho Batista, quando, abaixo de cantos religiosos próprios, a imagem do santinho é retirada da casa da festeira e vai, em andor, até a Fonte de São João, distante várias quadras. À passagem da procissão o pátio das casas nas ruas percorridas vão se iluminando com a inflamação das fogueiras, enquanto a piazada vai soltando bombas e foguetes. Chegando à fonte, a imagem é passeada nos ombros de um devoto (sempre o mesmo) sem se molhar. Depois, todos voltam sem grandes formalidades à casa da festeira, onde se realiza um baile animado a gaita, violão e pandeiro, com comes e bebes. No outro dia, à tarde (aí, sim, Dia de São João) é realizada uma Mesa de Inocentes, farta e a vontade, para a gurizada do bairro.

     Em muitos lugares, porém, como em São Borja e no interior de Sobradinho, ocorre o interessante fenômeno de "caminhar sobre as brasas", de pés descalços. É verdadeiramente impressionante.

      Na festa de São João em várias cidades, quando realizada pelo padre, acontecem os tradicionais "leilões" (galinha, leitão), "pescaria" etc... Quando a festa é espontânea, ocorrem jogos de prendas, baile e provas de amor e saúde, algumas destas à meia-noite em ponto.

SÃO PEDRO — O santo guardião das chaves, porteiro do céu, é o padroeiro do Rio Grande do Sul. A Estancia da Poesia Crioula, Academia Xucra do gauchismo, realiza todos os dias 29 de junho a sua festa máxima. Hoje quase não se acendem as fogueiras de São Pedro e, raramente, aparece o Terno desse santo.

Por Paixão Cortes em seu livro Folk, Festo e Tradições Gaúchas.
(Cadernos Gaúchos)

          Comemoradas no Brasil, desde o Século XVI, trazida pelos Portugueses as festas juninas sofreram adaptações com costumes agregados aos antigos. Mesclando ritos pagãos e cristãos tem um importante papel no calendário folclórico, apresentando características de diversas de acordo com cada região do pais.

            Em todos os rincões do Estado, principalmente no ambiente simples do nosso homem do campo as festas de maior significado na comunidade continuam sendo comemorações dos Santos Padroeiros. Hoje em quase todo o Brasil as festividades juninas tomaram caráter festivo-social, desligadas do seu sentido de religiosidade e passaram a ser um acontecimento em que o ridículo e a fantasia representam o ponto alto das modas ou novidades citadinas.

           O que vem ocorrendo no Rio Grande do Sul   há algum tempo, é que estão sendo misturadas duas culturas regionais brasileiras distintas — a caipira e agaúcha — nas comemorações das festas juninas. Muitos imitando o caipira que é pior, muito mal, sem conhecimento de sua cultura. Sabe-se que o caipira é um tipo humano representativo de uma região brasileira, assim como o são o vaqueiro, o jangadeiro e o próprio gaúcho merecendo, portanto, como nosso irmão, o nosso respeito. A vida simples e rústica, a falta de instrução, a deficiência de higiene fatores hereditários e uma série de outros motivos fizeram do caipira um tipo humano característico do interior paulista, principalmente. 

            Não podemos esquecer, porém, que possui também belíssimas tradições regionais  que chegaram até nossos dias cultuadas pelas gerações.
Se muitos deturpam a figura do caipira, tornando-a extremamente caricata e mesmo cômica, transformando-a em verdadeiro palhaço, é pela falta de conhecimento do tipo verdadeiro. A imaginação jocosa não viu as qualidades e virtudes que aquele possui, ante as condições desfavoráveis do seu vestir.

            Quanto ao tipo humano, o caipira é bem distinto do gaúcho, não só na maneira de falar, com corruptelas originais, como no vestir, pois não usa bombacha, bota, espora, guaiaca, tirador, camisa lisa, chapéu de feltro, barbicacho, pala, boleadeira, etc. Não vemos razão para confusões. As festas juninas no Rio Grande do Sul, no seu sentido verdadeiramente folclórico, eram distintas das comemorações caipiras e assim deveriam continuar.

           Não devemos ser contra a festa caipira, dentro dos princípios tradicionais e corretos. Devemos ser, sim, contrários à mistura de costumes de caipiras e gaúchos em festas juninas. E mais. Contra a pretensa substituição pura e simples da festa caipira por festas gauchescas. Se nós, gaúchos, temos uma tradição e a cultuamos, também os caipiras possuem a sua e a mesma deve ser respeitada, pela sobrevivência do folclore nacional, em suas puras manifestações.

           No sentido de divulgar as verdadeiras tradições gaúchas, referentes aos santos do mês de junho, o IGTF realizou, em 1980 e 1982 dois grandes acontecimentos  populares que foram: a “1ª e a 2ª Festa Junina de Porto Alegre", no Parque Marinha do Brasil.


           Milhares de pessoas assistiram aos festejos e tornaram parte na montagem das diferentes fogueiras para cada santo — Santo Antônio, São João, São Pedro e São Paulo —, além de presenciar o “Levantamento do Mastro”, pelo ‘Capitão”; as atuações do "Tenente da Fogueira" e "Alferes da Bandeira", afora, naturalmente, a degustação de pratos típicos da gastronomia gaúcha e participação nos jogos, sortes e danças do folclore rio-grandense.

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Por Leandro Araújo - BLOG de Opiniao
(https://blogdoleandroaraujo.blogspot.com)

Por que, existe a cultura do “caipira” em nossas Festas Juninas?

           Estudando o termo, percebemos que ele se refere a qualquer tipo
humano do interior, normalmente de área rural. De acordo com o dicionário Koogan/Houaiss, caipira significa “Homem da roça ou do mato; matuto, capiau. /Pessoa tímida e acanhada. / Jogo de parada com um só dado ou com roleta, entre pessoas humildes.” Já no dicionário Antônio Olinto de Língua Portuguesa, a definição de caipira é “Habitante do campo, do interior. / roceiro, caboclo. / indivíduo tímido, acanhado”. 

           No dicionário Aurélio encontramos “Habitante do campo ou da roça / diz-se de caipira sin. ger. jeca, matuto, roceiro, caboclo, capiau ou taboréu”. Ou seja, a expressão refere-se genericamente às pessoas ligadas ao campo, geralmente em pequenas propriedades (ou empregados de grandes propriedades), de poucas letras e pouca vivência urbana. Ora, este tipo é encontrado em todo Brasil, não necessariamente precisa figurar como o imortalizado por personagens como “Jeca Tatu”, de chapéu de palha, calças remendadas e camisa xadrez.

           A palavra “caipira”, como é definida vocabularmente, é encontrada em qualquer região brasileira, respeitando suas características físicas, culturais, históricas e geográficas. Ligar a expressão “Festa Junina” a “Festa Caipira”, por si só já é um erro crasso, no entanto, pior ainda é ligar a expressão “caipira” à imagem estereotipada pela mídia do homem do interior, maltrapilho, ignorante e ingênuo.

           Estudos dos tipos regionais brasileiros já comprovaram que a falta de letras por parte do homem do campo não significa ignorância ou falta de capacidade de aprendizado, ao contrário, o conhecimento que detém é específico e suficiente para sua sobrevivência no meio em que se encontra. A classificação de “caipira” que nos é imposta pela mídia é exatamente contrária, retratando-o como um incapaz.

          Várias teorias tentam explicar a introdução desta paródia de caipira em nossas festas juninas (digo “paródia”, pois os trajes usados nas festas juninas imitam toscamente apenas as roupas dos interioranos dos estados de São Paulo e Minas Gerais). Porém uma das explicações é a que traz uma força histórica muito grande:

           A Revolução de 1930 e, principalmente, o golpe do Estado Novo em fins de 1937, foram responsáveis pela difusão impositiva do sentimento de brasilidade. Através desta agitação política, buscava-se concretizar cultural e ideologicamente a formação de mercado e de indústria nacionais centrados no eixo Rio-São Paulo. Para tal, foram fortemente subjugados os sentimentos regionais.

            Durante a “Proclamação ao Povo Brasileiro”, de 10 de novembro de 1937, Vargas denunciou o “caudilhismo regional” que “ameaçava a unidade nacional brasileira”. Em gesto simbólico mandou queimar as bandeiras regionais publicamente, ardendo entre elas, o pavilhão criado por seus antigos ídolos, Júlio de Castilhos e Borges de Medeiros, em 1891.

              Em seguida, o Estado Novo promoveu a chamada “invenção da cultura nacional”, como fundamento da identidade nacional imposta. Para isso, o getulismo apoiou fortemente a seleção brasileira de futebol; nacionalizou o carnaval e o samba, as festas juninas aos moldes do sudeste brasileiro; incentivou o nascimento de arquitetura moderna brasileira; estimulou a produção musical dos temas centrados na região do “Café com Leite”. O mais curioso, é que vinha descansar em suas estâncias no sul, onde era fotografado de bombacha, tomando mate e montando à cavalo como um verdadeiro caudilho.

            A “invenção da cultura nacional” foi uma medida política e repressiva, que buscava esmagar a cultura regional para que, desta forma, não se abrisse precedentes a novas manifestações antigovernistas. O resultado desta centralização e imposição cultural foi o início da massificação da cultura da região sudeste, que até hoje é vendida ao mundo como sendo a verdadeira e única cultura brasileira.

            Podemos afirmar que até 1930 a expressão “Festa Caipira” sequer existia e também que as Festas Juninas já aconteciam na região sul do Brasil, invocando suas particularidades culturais próprias, desde que essa região começou a ser efetivamente povoada, em 1737. Se em duzentos anos de História festejou-se as datas juninas, e seus respectivos santos, através da particularidade regional de cada povo, incentivar a realização de festas caipiras, fantasiando nossas crianças de forma que ridiculariza o homem do interior, transformando-as em imitações de pequenos paulistas ou mineiros, é aplaudir o maior erro do governo de Getúlio Vargas, que tentou esmagar através da força despótica toda herança cultural regional. É lamentável, mas continuamos sendo governados por decisões arbitrárias, que há 75 anos promovem a centralização da cultura nacional, ditando através da mídia o que devemos vestir, comer ou ouvir.
           Mas como tentar reverter esta situação? Se continuarmos aprendendo que em “Festa Junina” nos fantasiamos de caipira, na Semana Farroupilha nos fantasiamos de gaúcho e no carnaval nos fantasiamos de qualquer coisa, continuaremos tratando nossa cultura como “coisa de grosso”.

           A consciência de que ao vestirmos a indumentária gaúcha não estamos nos fantasiando de gaúcho, mas vestindo um traje histórico, que representa toda a identidade cultural de um povo, sua história e cultura, não deve ser imposta, mas ensinada. Respeitar a cultura regional é respeitar a própria origem, as raízes que sustentam toda organização social vigente. Com o coração triste, mas pilchado, acompanharei mais um ano onde a televisão nos enfiará goela abaixo músicas e roupas “caipiras” em detrimento da cultura regional. 

            Pois assim, ouvindo e vendo os meios de comunicação de massa, principalmente a televisão, cegando o povo, fica muito mais fácil vender novelas, músicas e informações.

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SANTOS DE JUNHO - São Pedro e São Paulo

          A solenidade para São Pedro e São Paulo (apóstolos e mártires) é uma das mais antigas e solenes do ano litúrgico. Desde o século IV havia o costume de celebrar neste dia três missas solenes, a primeira na Basílica de São Pedro no Vaticano, a segunda na Basílica de São Paulo fora dos Muros, e a terceira nas catacumbas de São Sebastião, onde as relíquias dos dois apóstolos ficaram guardadas por muitos anos para que não fossem profanadas.

          Alguns estudiosos do assunto consideram que esta devoção seja a cristianização de celebração pagã dedicada a Rômulo e Remo, os dois mitos fundadores de Roma, que teriam sido amamentados por uma loba. São considerados pela igreja os pais da Roma cristã e um antigo hino religioso os define como tal.

          Não há um consenso sobre a época exata da morte destes santos, mas a história coloca o fato entre os anos 64 e 67 da era cristã.

       Para o folclore festeja-se São Pedro como o chaveiro do céu e protetor dos pescadores, dos marinheiros e das viúvas. É festejado com procissões em terra e na água.

          Seu símbolo litúrgico é uma chave e a sabedoria popular diz que para entrar no céu somente pela intercessão deste São Pedro.

        Diz-se que era pescador e que um dia estando pronto para exercer seu oficio encontrou Jesus Cristo que o convidou para segui-lo e ser um "pescador de almas". Pedro o seguiu mudando o rumo de sua vida. Antes da Ascensão, ou seja, antes de subir aos céus Jesus o nomeou chefe da Igreja e comparando os homens com um rebanho, mandou que Pedro cuidasse de todas as ovelhas e cordeiros. Assim foi feito, tornando-se Pedro o primeiro Papa da Igreja Católica. Foi um dos discípulos mais estimados de Jesus Cristo e todos os papas até o momento atual o sucederam.

         É prestigiado como padroeiro do Estado no Rio Grande do Sul.
São Paulo - Saulo de Tarso da Silícia também foi um dos apóstolos de Jesus. Antes de se converter ao cristianismo perseguiu e matou cristãos, até que a caminho de Damasco teve uma visão, Jesus em meio a intensa luz lhe perguntou: "Paulo por que me persegues?" A emoção e a claridade o cegaram por três dias, quando recuperou a visão converteu-se ao cristianismo e seguiu o Mestre pregando a palavra de Deus.

       Foi martirizado e morto, seu corpo foi colocado na mesma catacumba ao lado de São Pedro. É o menos festejado dos santos de junho.


Professora Paula Simon Ribeiro

Parabéns aos nossos irmãos da EPC - Academia Xucra do Rio Grande

          A Comissão Gaucha de Folclore, através de seu Presidente Octávio Capuano, vem a público cumprimentar a Estancia da Poesia Crioula pela passagem, neste 29 de Junho, dia de São pedro, do aniversário de 61 anos da Academia Xucra do Rio Grande. Parabéns presidente Ubirajara e todos os Vates desta instituição sexagenária.

           A Estância da Poesia Crioula é uma entidade cultural sul-riograndense que visa congregar os poetas e prosadores voltados para a temática gauchesca, além de pesquisar, manter, promover e divulgar tudo aquilo que se relacione com esta arte crioula em suas mais diversas formas de manifestações.

            A fundação da Academia Xucra do Rio Grande, como é carinhosamente conhecida, ocorreu no dia 29 de junho de 1957, dia de São Pedro, Padroeiro da Estância, graças a visão e ao esforço de abnegados poetas e prosadores que sentiram a necessidade de organizar-se como instituição com o objetivo de exaltar nossos usos e costumes, nossas valorosas e ricas tradições.

            Nos dias 27, 28 e 29 de junho de 1957, foi realizado o primeiro Congresso de Poetas Crioulos do Rio Grande do Sul. Neste evento, que teve Vargas Netto como Presidente de Honra (após sua morte tornou-se patrono da entidade) e o poeta Hugo Ramirez como Presidente da Comissão Organizadora, entre pareceres diversos, moções de louvores, discursos, homenagens, foram traçados os princípios da estância, tendo como seu mais elevado objetivo congraçar os poetas gauchescos, organizar uma corrente de pensamento e de estudo através de cuja manifestações possa atuar de maneira culturalmente objetiva a arte da poética e o culto, em si, da tradição campeira.

            O primeiro Rodeio de Poetas Crioulos teve a adesão, mediante comparecimento ou manifestações expressas de 86 poetas, sendo, estes, considerados Sócios Fundadores.

            Neste mais de meio século de existência a EPC tem cumprido com louvor seus princípios e objetivos promovendo, anualmente, seu Rodeio de Poetas, editando suas antologias, realizando seus concursos literários, participando ativamente dos movimentos que venham a promover nossa cultura. As reuniões dos vates e convidados acontece aos sábados na sede própria da Estância na rua Duque de Caxias 1525, sala 49 D.

A primeira diretoria da Estância foi assim constituída:

Presidente Hugo Ramirez. 
Demais poetas: Rui Cardoso Nunes, Jayme Caetano Braun, José Barros Vasconcellos, Dimas Costa, Lauro Rodrigues, Pery de Castro, Nitheroy Ribeiro e Olynto Sanmartin.

Nestes 50 anos de existência foram presidentes da Estância da Poesia Crioula:

Hugo Ramires (1957/1959 – 1963 – 1986/1988);
Nitheroy Ribeiro (1959/1960)
Jayme Caetano Braun (1960/1961);
Guilherme Schultz Filho (1961/1963 – 1970/1972);
Cyro Gavião (1963/1964);
Mozart Pereira Soares (1964/1966);
Pery de Castro (1966/1970);
Hélio Moro Mariante (1972/1974);
José Paim Brites (1974/1976);
Zeno Cardoso Nunes (1976/1980);
Vasco Mello Leiria (1980/1982);
José Hilário Retamozo (1982/1986-1992/1994-2000/2002);
Francisco Pereira Rodrigues (1988/1990);
Dias Francisco Fiorenzano (1990/1992);
Caio Flávio Prates da Silveira (1994/2002);
Sérgio de Laforet Padilha (2002/2004);
Léo Ribeiro de Souza (2004/2006);
Beatriz de Castro (2006/2008);
José Machado Leal (2008/2010);
Cândido Brasil (2010/2014)
Wilson Tubino (2014/2016)
Ubirajara Anchieta (2016/...)


Fonte: Blog do Leo Ribeiro de Souza